Arquivos: Série Vaga Lume

Blogagem Coletiva: livros que marcaram a infância

É estranho lembrar da literatura na minha infância.

Passei boa parte dessa fase assistindo filmes pesados. O que explica meu jeito perturbado. No mundo real, não conseguia acompanhar meus pensamentos, nem o que os professores falavam e, olhar pra um livro muito tempo (5 minutos) era extremamente angustiante pra mim. Ainda é uma tarefa árdua as vezes.

De um modo reservado, sempre buscava maneiras de explorar até o limite da imaginação, me desconectar da realidade que me massacrava, e explorar a capacidade de sentir alguma coisa diferente, medo principalmente. Logo, filmes de terror faziam parte da minha vida. E era o único momento em que eu conseguia me concentrar em alguma coisa até o fim.

Por sorte, na escola éramos todos obrigados a ler os livros da série vaga-lume. E descobri que livros também eram assustadores e misteriosos, como os filmes. Até melhor. Uma descoberta óbvia, mas que me impressionou demais. Eu não sabia expressar essa alegria, mas era um momento lindo. Quando acordava tinha o hábito de revisar toda a história que tinha lido no dia anterior. E sempre preenchia aquele questionário no final dos livros. Aquilo era a prova de que eu consegui me concentrar e entender um livro. Eu passava tanto tempo sonhando acordada que precisa de uma prova das minhas conquistas, pra ter certeza que não foi imaginação. Como os questionamentos sobre a matrix. Você sabe que isso nem é real, certo?

 

Mistério dos cinco estrelasO Mistério do Cinco Estrelas, do Marcos Rey, foi o primeiro livro que li de verdade. E só foi possível porque a história me atraiu e o desenvolvimento foi ótimo. E claro, questionário no fim do livro preenchido com sucesso. Ainda tenho como prova da minha iniciação na literatura.

 

 

 

 

dráculaDrácula, Bram Stoker
Uma das leituras que me impressionou pelo motivo de: não entendi porra nenhuma. Com certeza as versões mais antigas do Drácula são um desafio pra interpretar, ainda mais pra uma criança. Mas eu tinha referências do cinema pra me ajudar. E cismei que precisava saber o que ia acontecer com Jonathan Harker naquela mansão de atmosfera pesada e seu excêntrico anfitrião. E reli algumas vezes até entender e se tornar meu favorito por muitos anos.

 

 

Sonho de uma noite de verãoSonho de uma noite de verão, William Shakespeare
Fui enfeitiçada e me perdi naquela floresta mágica. Mergulhei fundo nessa história e me tornei uma das personagens. Esse é um dos meus favoritos desde pequena. Tive sonhos com ele e muita inspiração pras aulas de educação artística. E material pra viajar na aula de educação física que eu me recusava a fazer.

 

 

 

13anos3Frankenstein, Mary Shelley. Deixa eu contar. Passado o choque da leitura, que me fez chorar, eu queria o Frankenstein como personagem do Mortal Kombat. Foi uma leitura emocionante. Li várias edições diferentes. Cada uma retrata nosso amigo costurado de uma forma diferente. Algumas apelam mais para seu lado humano, o que justificava qualquer ato de crueldade da parte dele. Uma criança gigante. Mas o que Frankenstein é, ora bolas, senão humano como você e eu? Curioso como precisava lembrar a todo momento que ele não era e nunca foi um monstro. Lembro que fiquei extremamente comovida. Ao mesmo tempo me fez refletir muito, de acordo com o que eu entendia, sobre a bondade/maldade humana.

 

Esses foram alguns dos que fizeram a diferença e me proporcionaram momentos incríveis. A ideia da blogagem coletiva é da Sybylla. Aproveita que está no clima e leia o post dela também, só clicar aqui.

Outros blogueiros entram nessa também, é só buscar no twitter pela tag #BCLivrosdaInfância