Arquivos: Mito Da Caverna

Saindo da caverna em 3,2,…

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Platão, homem intelectualizado pacas, criou um diálogo pra explicar seu ponto de vista sobre o conhecimento, de uma maneira dramática e filosófica, e num texto que se tornou atemporal, chamado Mito da Caverna.

O barato é o seguinte. Você está numa caverna, na verdade você nasceu lá. Acorrentado pelos pés e pescoço, junto com outras pessoas. A caverna tem um larga abertura para entrada do sol e umas brisas. Acontece que existe um muro entre aqueles que vivem na caverna e quem está lá fora. Os presos estão acorrentados de costas para o muro, ou seja, sua unica visão pelo resto da vida é a parede da caverna.

Mencionei que o wi-fi não pega na caverna? Sinal da tim então…

Mas o muro não bloqueia completamente a saída, ráa! A luz dos raios de sol durante o dia e fogueiras feitas à noite te dão uma visão de lá de fora, através de formas refletidas na parede da caverna. Você vê varias formas indefinidas se movimentando atrás do muro, as vezes escuta sons e, com o tempo aquilo se torna a sua realidade.

Você passou a vida daquele jeito, vendo as mesmas coisas, sem ao menos poder virar o rosto. Imagina o torcicolo, o dia que virar, quebra. Enfim, no seu cérebro as sombras são algo real, e não o reflexo de pessoas e objetos.

Agora, você foi escolhido pra sair da caverna. Retiram você de lá, te fazem camelar por aí, pegar sol na cara, o que é horrível, porque sua visão é noturna. Você passa frio, calor, leva chuva e sol na cara e é confundido com imagens coloridas e formas definidas que não lembram em nada aquelas sombras distorcidas que era acostumado.

Nesse dia você nasceu.

Qual o primeiro sentimento que te vem à cabeça? Se disser alegria você é muito sacana, por não ter pensado em seus amigos e na vida limitada que continuam vivendo lá na caverna. Então você se entristece. Por eles. Por você.

Alias, a consciência da verdade quase nunca acompanha felicidade. Quanto mais longe você enxerga, mais melancólico se torna. Igual quando você descobre que os vampiros românticos e jovens não existem. E se existissem, jamais te pediriam em casamento.

Foco na caverna.

Continuando a linha de pensamento do Platão. Imagine que então você é levado de volta pra caverna. Você não é mais o mesmo, nunca será. Lembra da frase “uma mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original”?

Por consequência você trará novas informações, contestando tudo em que seus companheiros acreditam. A verdade é intimidadora, o conhecimento dá medo mesmo. Os outros presos não acreditam nas suas palavras, você é isolado deles. Enquanto passam o tempo que resta adivinhando quando e como as formas aparecerão na parede. Um se vangloriando mais que o outro por ser mais inteligente. E você assistindo aquela ingênua brincadeira de crianças, que são tudo na vida daquelas pessoas. Sem poder dizer mais nada e sofrendo ameaças de morte se insistir.

Platão deixa claro que as pessoas que vivem na caverna não querem sair dela. Não há sequer curiosidade. A vida é aquela bosta de parede tela plana sem HD e 3D, e pronto.

Mas e se eu disser que nós ainda vivemos na caverna? Com wi-fi, amém. Mas uma grande tela cheia de dados, porque dados nem sempre são informações. Primeira regra da informática.

Somos condicionados a acreditar e pior, aceitar como realidade aquelas sombras distorcidas de informações manipuladas por quem sabe da verdade, ou pensa que sabe. Não é vergonha nenhuma ser enganado, mesmo, levanta essa cabeça. Mas ative seus sensores, use como arma sua curiosidade que sempre gera dúvidas. O que nos leva ao famoso senso crítico. E não é brincadeira, ter senso crítico requer prática, habilidade. Somos capazes de configurar como nosso cérebro recebe e filtra informações. Isso requer treino, alimentação saudável e uma massa encefálica molinha, porém aberta a novos conhecimentos. Já que aquela velha opinião formada sobre tudo não nos representa mais.

E mesmo assim ainda somos todos suscetíveis a encarar dados aleatórios como informações verdadeiras.

Mas que é uma delícia sair da zona de conforto, vulgo caverna com paredinha escrota, ah isso é.