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Eu, robô. E você?

“Eu existo, porque penso.” Melhor fala em todo o livro, conclusão de um robô espertinho que elaborou sua própria teoria. Veja só!

Eu-RobôJá leu Eu, robô? Com meu super cérebro positrônico (só que não) terminei de ler em uns 3 dias. A leitura é simplesmente fabulosa, torna-se angustiante e termina de maneira sombria. Claro que se você for um robô com um cérebro equipado com as 3 leis da robótica(dos lábios do próprio Asimov), ou um fã da dominação das máquinas, já que perdeu a fé nos humanos, a mensagem do livro será de um futuro promissor para a humanidade. Seu maluco.

Logo de início conhecemos a pequena Glória, que tinha a companhia de alguém, perdão, algo, muito especial pra ela, Robbie, um robô que tinha a função de babá. Consequentemente Robbie tornou-se seu melhor amigo.

Essa é a primeira história de uma série de 9 contos, todos narrados pela velha doutora Susan Calvin, psicóloga de robôs da U.S.Robôs. Velhota que nasceu em 1982, ainda estou digerindo essa. Culpa dos contos futuristas de Isaac Asimov.

A idosa Susan esteve presente ou participou da discussão/solução de todos os acontecimentos narrados. Que vão desde sua juventude até a velhice. Mesmo com uma personalidade difícil e áspera ela consegue nos cativar e sua presença nas histórias é sempre marcante. Ninguém entende das 3 leis e suas implicações nos casos mais macabros do que ela, que obviamente você deve ter sacado, não nega sua preferência por robôs ao invés de humanos. Psicologicamente falando ela era praticamente um robô. Acho que nos tornamos parte daquilo que amamos, com ela não é diferente.

Já no fim da carreira ela sede seu tempo pra contar numa entrevistapreview_html_620709ea várias complicações e um certo acidente tão incrível quanto perigoso que aconteceram por baixo dos panos. Todos os contos tem uma abordagem muito sutil e delicada sobre robôs. Não são descritos apenas como a ameaça terrível que vemos em filmes ou outras histórias. É como um prelúdio do que virá. No caso de Robbie, ele gostava que a pequena menina lhe contasse histórias dos livros infantis. Isso é um pequeno detalhe que mostra o potencial da robótica para os próximos anos. Ele era um dos primeiros modelos de robôs para uso pessoal, na década de 90, em que ainda era permito robôs para este fim. Com apenas um cérebro positrônico primitivo, semelhante a mentalidade de uma criança (as 3 leis inclusas), e desprovido de fala, o robô dava sinais de personalidade.

As três leis são bem exploradas e colocadas do avesso pra desvendar os estranhos acontecimentos envolvendo as máquinas. Com direito a adivinhações e rotinas de programação construídas mentalmente por nós leitores ao longo da trama, que exige muito da nossa atenção e concentração. Acho que esse é o ponto que incomodou algumas pessoas. O foco excessivo nas três leis. Ao meu ver isso é justamente o ponto alto do livro e prova como Asimov não só criou uma ficção, e sim um novo conceito pra robótica. Ele é um gênio por isso.

Os contos trazem de tudo. Robôs malucos, mentirosos, fujões, com complexo de superioridade, e medo de magoar sentimentos humanos. E temos a questão do complexo de Frankenstein, criada também por asimov, e pelo que entendo, é o medo das pessoas pelos robôs. Semelhante ao caso de Victor Frankenstein que sente repugnância por sua própria criação e entende a monstruosidade que criou. A criatura, na qualidade de um ser completamente orgânico quer vingança por ser renegada. No caso da robótica é o medo das pessoas em serem dominadas por elas. Mas e elas, o que “pensariam” de serem descartadas?

Falar sobre robôs é falar sobre humanos. Por mais avançada que seja uma inteligência artificial, ainda assim ela precisa de um ambiente para aprender e desenvolver suas capacidades analíticas. Nós somos a base. E a mais insignificante entonação de voz ou gesto tem uma grande importância para um robô no universo de Asimov. Sempre armados com as 3 leis, percebemos que no livro que diversas falhas e erros nada mais é do que falha de comunicação e completa cooperação entre homem e máquina. E como Susan apenas sugeriu, por medo de confirmar a suspeita, uma máquina sabe que somos traiçoeiros e mentirosos por natureza. E aparentemente as máquinas estão preparados pra isso.

E o engraçado disso, é que nós caminhamos rumo a essa evolução robótica, a passos de formiga mas caminhamos. Asimov apresenta todos os questionamentos possíveis e impensáveis dentro da psicologia dos robôs. A ideia de criar um automato se torna mais assustadora do que empolgante. Embora acredito que isso seja impossível, já que a U.S.Robôs tem a patente dos circuitos emocionais cerebrais. É mole?


Mais:
Se ficou curiosa(o), encontrei esse pdf bacaninha do livro.