O outro

O outro

Mantinha firme sua posição, a arma colada na testa do homem. Ele sabia do que ela era capaz e, por um momento preocupou-se. Suava feito um porco, ajoelhado no chão. Era assim que queria que ele ficasse, ela quem estava no comando.

– Você…. – mas a voz não saía. Destravou a arma num pequeno estalo.
– Se puxar o gatilho, estará tudo acabado para os dois, você sabe, no fundo você sabe – Ela sabia – Está mesmo disposta a fazer isso? – respondeu o homem, que agora tinha um olhar diferente, mais vivo, não disfarçando sua excitação.
– Do que você está falando. Meu Deus, tem ideia do que acabou de acontecer?

Ele tinha medo de morrer e também parecia aliviado. Isso a deixava mais alucinada, e a força que fazia para não pressionar o dedo no gatilho aumentava. Estava confusa demais para manter a calma.

O que ela presenciou no quarto era tão repugnante que sentia as entranhas se revirando no estomago sempre que as imagens lhe vinham na memória, ao pedaços, como pequenos fhashes de uma câmera. O marido nu na cama, jogando-se sobre ela bruscamente, segurando sua boca para que não gritasse. O choro ele já estava acostumado e gostava, lambia todas as lagrimas do seu rosto depois. Mas odiava quando ela pedia parar, não podia sequer ouvir sua voz. No fim ele tinha quase o mesmo sorriso que aquele homem na cozinha. Satisfação.

O marido se levantou e a puxou da cama pelos cabelos, jogando-a no chão. Gritou de dor. Ele resolveu que estava zangado por ela o ter encarado o tempo todo com um olhar de julgamento, com o olho bom, aquele que não estava totalmente fechado pelo inchaço do ultimo soco. Começou a chutá-la com toda a força, segurou seu pescoço e, tirando-a do chão, deu um soco no nariz fazendo sua cabeça bater violentamente contra o chão novamente.

A partir dai tudo ficava confuso. Eram cenas cortadas, reviradas, sem conexão.

Acordou da pancada com gritos, mas não eram dela. Agora o marido estava jogado no chão à sua frente, segurando o toco que antes era sua mão esquerda. Também tinha sido baleado no ombro. Um homem, aquele homem, atirou e depois o amarrou na cama. Com uma faca de cozinha o homem cortou a genitália, ela viu que era sua faca preferida para cortar bifes grossos. O marido ainda acordado para assistir sua mutilação, entorpecido.

Ela fechou os olhos tentando inutilmente desvencilhar-se daquela imagem e compreender como chegou naquele momento. Alias, quando a arma veio parar na sua mão?

– Não pare agora – disse o homem – Está chegando perto. Ainda com a arma na mira dos seus miolos.

Percebeu que já era noite. Quando se é abusada com frequência você passa a não existir. Você aprende a desaparecer, levar sua mente para outro lugar, qualquer lugar. Como quando você vai fazer algum exame e o medico diz pra olhar algum ponto na sala e focar nele. Ela gostava de olhar o sol. Enquanto o marido lhe sufocava com as mãos ela buscava algum pontinho de sol dentro do quarto. Viu pela fresta da porta, era dia.

Depois o marido gostava de beber, beber e relaxar lendo o jornal na cama. Ela tinha sempre que estar pronta pra levar seu drink. As vezes pensava em colocar alguma droga na bebida, dopá-lo. Um dia planejava fazer isso, mas precisava de tempo. 3 anos ainda não eram o suficiente.

Lembrou de ver sangue escorrendo da cama, muito sangue. Poças de sangue, lençóis de sangue. E eu sobrevivi a isso, porque? Uma perna até a altura da coxa escorregou da cama, descolada do resto do corpo. Ficou pendurada na ponta da cama e só não caiu por estar amarrada à corda pelo tornozelo. Pelo menos assim, em pedacinhos, o covarde não teria como voltar.

Pedaços? Mas…

– O que foi que você fez?
– Eu libertei você. Nós. O homem se levantou, estavam frente a frente, poucos centímetros de distância. Ainda apontava a arma em sua direção. Ambos se olhavam em silencio, e ficaram assim por mais um tempo, o tempo suficiente.

Ele sentiu o cano gelado da arma em sua testa, ela também. Ela tinha as mãos e roupas cobertas de sangue do seu carrasco mutilado no andar de cima.
– O que foi que eu fiz?

Finalmente ela pressionou o dedo no gatilho, ciente da resposta. Nos segundos que antecederam o tiro ela pôde ver seu reflexo em uma bandeja de prata, segurando a arma apontada para sua própria cabeça.

 

 

 

TAG- Campanha de incentivo à leitura

campanha de incentivo à leituraFaz tempo que eu não respondia uma tag, e é bom ser indicada pelos vizinhos de vez em quando. Essa veio da Valéria, que manja muito das palavras e tem umas ideias sobre a vida que eu me identifico bastante.

Então bora pra tag!

Aposto que tem alguém pensando: “ler, grande coisa”. Né? Tanta gente ai viciada em livros e que não sabe escrever, não sofisticou vocabulário muito menos abriu a mente.

Mas será que é realmente assim? Acho que a gente cria muita expectativa com a leitura, assim como muitos são endeusados pelas metas de leitura alcançadas. Cretinos sortudos. Mas a coisa não funciona assim, é um processo lento e intimo. Pode ser uma palavra nova, ou antiga que você escrevia errado, uma emoção tão intensa que somente um cenário apocalíptico poderia propiciar, ideias para escrever sua própria história, maneiras de matar/assombrar/torturar, psicologicamente, claro, aquelas pessoas queridas, ou uma fuga de momentos estressantes e difíceis de lidar. Inúmeras razões, inúmeros benefícios.

Acho sim que a leitura deve ser sempre incentivada, ela não salva você, mas sem querer fornece algumas ferramentas. E vale até pra Crepúsculo (que me serviu de ideia para pequenos diálogos). Isso me fez recordar de um texto que li há um tempão, lembro que o autor escreveu algo sobre livros “ruins”, ou no caso aquele que ninguém gosta, ou os que sofrem do nosso preconceito. Ele dizia que é importante ler de tudo, sem frescuras, ao menos tentar. Com o tempo você vai identificar o seu estilo literário e vai saber quais leituras buscar. E mesmo assim a gente não está livre de fazer más escolhas.

Mas é importante começar de algum lugar, como tudo na vida. E como a ideia da tag é incentivar a leitura, e minha tarefa é indicar apenas um livro, escolhi um cheio de teorias de conspiração e podres da NSA (Agência de Segurança Nacional americana), que coloca a CIA no chinelo. O livro é o Fortaleza Digital.

Fortaleza DigitalA personagem principal é Susan Fletcher, uma criptógrafa que trabalha na NSA cuidando de um supercomputador, o TRANSLTR. Ele foi feito para decifrar qualquer tipo de código, porém (pausa para o espanto), ele simplesmente se depara com um código indecifrável. Nem mesmo Susan com toda a sua beleza (matemática) consegue quebrá-lo. Logo eles descobrem que o código vem de um antigo funcionário. A coisa fica tensa quando Ensei, ameaça jogar na internet e expor informações importantes do governo. A mando do próprio diretor da NSA, Susam viaja, junto com um professor de línguas, atrás de Ensei e em busca da senha para o código.

Quais as motivações dele? o que isso significa? E até onde vai a sua privacidade digital? Essas e outras perguntas você descobrirá em Fortaleza Digital. 😉

PS.: Li há muitos anos, e por culpa desse livro cheguei a estudar um pouco de criptografia.

Você pode ler o ebook aqui. Mas com certeza vai querer comprar o livro físico, item de estante.

 

Opa, quase esqueço de indicar alguns blogs. Uni duni tê, o escolhido é você:

Conversa Cult

Electric Beans

Momentum Saga

 

 

Brazilian Horror Story #3

brazilian horror story #3

Já tinha mudado toda a rotina. Acordava 2 horas antes, num solavanco brutal com o despertador do celular que, francamente, nem era tão alto assim.
Vânubia tremia tão descontroladamente que ao encostar no armário destruído pelos cupins a porta onde guardava os copos caiu. Ganhou larvas de brinde, nos ombros, caindo aos montes da parte que ainda ficou pendurada, quase uma folha de papel. Começou a se sacudir como uma louca, numa dança macabra pela cozinha. Com isso acabou derramando café do copo. O ultimo café. Instintivamente subiu para o quarto e pegou a carteira, tinha apenas a miséria que havia sobrado do auxilio desemprego. Mas não podia ficar sem café. Lembrou-se também que o estoque de bolachas estava no fim, e seu estomago necessitava de uma refeição mais consistente. Tinha decidido, gastaria o ultimo dinheiro da casa com comida, café e o bendito cigarro, nada mais justo. Mas isso significava sair de casa para comprar. Sair…não se compra cigarro e café fiado pela internet.

Acendeu o ultimo, tremendo enquanto manejava o isqueiro, e pensando sobre essa situação ridícula que se prestava. Nem uma casa de verdade Vânubia tinha, morava de aluguel num cubículo imundo desde que se mudou para São Paulo. E ainda tinha o outro problema. Como de costume traçou sistematicamente seu trajeto até o mercadinho. Teria de abrir a porta, percorrer o largo corredor de pedra e abrir o portão de cadeado. Só que ao fazer isso seria vista. Mais uma vez na mira. Sentiu um tremor novamente, deu uma tragada generosa de despedida no cigarro, jogando a bituca na pia cheia de louça. Lavar agora era impossível com aquele problema no sifão. E com a água cortada tinha que deixar a da caixa só para o banhos de emergência.

Fechou os olhos por um momento, respirou fundo. Tossiu os pulmões e sentiu falta de mais uma tragada. Foi caminhando até a minúscula sala, sempre encarando a porta detonada pelos cupins, como todo o resto. Avançava um passo de cada vez, juntando a falsa coragem. O susto foi tão grande que se jogou na parede quando uma batida voraz na porta interrompeu seus planos.

– É ele meu Deus, é ele – falava com as duas mãos tapando a boca, agora agachada no chão.
– Abra essa porta, Vânubia. Eu sei que você quase não sai mais de casa, e eu vou te pegar de qualquer jeito – o homem rugia como um animal do outro lado da porta.

Batia freneticamente, e Vânubia controlava até a respiração para não fazer barulho. Não conteve as lágrimas que se tornaram soluços, altos o suficiente para que ele se enfurecesse ainda mais. Se acalmou um pouco com o silêncio que se fez logo em seguida. Não sabia como reagir. Queria fugir, mas ele a alcançaria de um jeito ou de outro. Juntou o resto das forças e engatinhou até a mesinha de centro, se apoiou nela para levantar.

Mas não teve tempo, ele surgiu de novo. Escutou vozes de pelo menos mais 3 homens. Dois conversavam e alguém socava a porta com coisas muito pesadas. Ele ou eles, era muito organizados, batiam contra a porta em intervalos calculados. Finalmente a porta, que não oferecia muita resistência foi derrubada.

Vânubia pensou na família, no namorado que deixou na Bahia e em todas as chances de uma vida simples, porém feliz que poderia ter ao lado deles. As lágrimas voltaram.

O homem já sem paciência entrou correndo, deixando os capangas pra trás. Vânubia ainda caída ao chão, tentou pateticamente se esconder atrás do sofá, mas ele avançou sobre ela. Ficaram frente a frente. Depois de uma estranha troca de olhares, ele finalmente gritou o que vinha esperando meses pra dizer:

– Pague o maldito aluguel.

O novo exército

Um novo exército

Imagem: freepik.com

Alicia observava no espelho, ao lado da cama, o que restou do seu corpo. Aquele amontoado de carne sem forma definida. Sentia o enjoo habitual, causado pelo cheiro podre da carne exposta. Já não se dava mais ao trabalho de chorar, alias, isso a machucava fisicamente.
Notou que pequenas pontas, cortantes como lâmina, surgiam de seus ombros nascendo lentamente. Tinha a impressão de que eram ossos. Constantemente acordava gritando, se contorcendo de dor com gemidos grotescos, as vezes seguido de convulsões. E quando Alicia se cansava simplesmente fechava os olhos e se entregava, rezando para que seu coração parasse. Ele nunca parava, na verdade nunca esteve melhor. No silencio da noite podia escutar as entranhas se revirando, os ossos se expandindo, se encaixando. Mas só via carne podre e pus brotando de seu corpo, uma capa flácida que estava prestes a cair.
O calor e a dor eram tantos que ela já não conseguia mais usar roupas. Observou também que o lençol veio junto com ela quando se levantou. Tentou puxar a pontinha delicadamente, a qual tinha grudado na nádega esquerda. O lençol que ela já não se dava mais ao trabalho de lavar, o lençol imundo e duro com sangue e excrementos. Fazia as fezes e urinava onde quer que estivesse, seu corpo não conseguia segurar. As vezes tinha sorte e conseguia se arrastar até um cantinho do quarto, no meio das contrações, assim como um cão que não gosta de defecar perto da comida ou de onde dorme. Não sabia ao certo o que saia, já que não se alimentava há meses. Suspeitou que eram pedaços dela indo embora.
“Mas que partes, meu deus, o que há em mim que ainda pode ser expelido?”
Pensou em puxar o lençol mas sabia que arrancaria um pedaço da pele, resolveu então cortar o mais rente possível à carne. O movimento brusco da tesoura fez com que encostasse a mão no lençol e deixasse um pequeno brinde nele, uma unha. Unha que ela não precisava mais cortar ou pintar. Alicia sempre foi extremamente vaidosa.
Ainda se admirava de poder ficar em pé, era capaz de andar, embora sua coluna estivesse inclinando. Ontem saltou da cama para a porta do quarto, instintivamente, e deixando pequenas placas de pele no caminho.
Durante os primeiros meses tentou entrar em contato com Russel para negociar uma nova troca. Pensou em trazer outra pessoa para tomar seu lugar. Mas não se engane, Alicia não era má, na verdade o bem e o mal sempre andam juntos. Ela apenas foi fraca. Se rendeu aos encantos de uma vida fácil, com o homem que sempre quis, dinheiro e um poder que parecia infinito. Acontece que nada vem fácil, e em algum momento ela se esqueceu completamente disso.
Voltou sua atenção para o espelho novamente. Mas o que poderia oferecer agora? Perdeu tudo o que tinha, tudo o que ele lhe deu. Queria chorar mas não conseguia.
Russel surgiu na porta do quartinho que ela vivia. Alto, forte, imponente. Tinha o rosto de um jovem que acabava de herdar um império. Uma auto confiança inabalável.
– Nós tínhamos um acordo – gritava Alicia, quase rosnando.
Russel não conseguia sentir nada, a encarava sem a menor consideração. Além do mais, já estava acostumado. Depois de um tempo falou:
– Mas você disse “Eu faço qualquer coisa”, quando me invocou.
– Eu te dou outra pessoa. Melhor, quer que eu mate alguém? Quer? Eu posso, sabe, eu consigo.
– Não, você selou seu destino. E agora tem a chance de participar de algo grande – falava sem conter o sorriso de satisfação.
– Meus deus, você se diverte com isso.
– Quem determina o acordo sou eu. E não cumpri minha promessa afinal?
– Acho que não agu… – caiu antes que pudesse continuar, cuspinho uma quantidade excessiva de sangue enquanto vinha outra convulsão.
Russel se ajoelhou e a segurou como um pai acolhe um filho.
– Ah, minha Alicia, eu tenho planos pra você. Sua transformação está só começando…

 

Meus Panoramas do Inferno

Hideshi Hino criou o mangá Panorama do Inferno. Tem toda uma historinha triste e meio bizarra que conta os traumas psicológicos que ele sofreu durante o tempo que criava o mangá. Muita gente tira sarro, o próprio mangá chega a ser uma piada em certo momento, mesmo assim eu gostei. E por mais absurdo que pareça, se prestar atenção ele usou vários elementos reais para dar vida ao pintor maluco que desenha quadros sobre suas visões do inferno. Ah, e tudo pintando com o sangue dele. Deve ter ficado anêmico no primeiro quadro, mas enfim.

E ai eu resolvi roubar a sua ideia, e descrever brevemente alguns fatos ou situações que considero meus panoramas do inferno. Sem sangue, sem traumas:

Spoiler [spoilers na imagem abaixo, CUIDADO]

Essa imagem é estampa de uma camiseta. Acredite se quiser!

Essa imagem é estampa de uma camiseta. Acredite se quiser!


Ahh, pessoas que fazem spoiler…com que frequência? O tempo todo. Como funciona o cérebro desse ser humano? Qual a área do cérebro que faz a gente distinguir o certo do errado mesmo? Meu palpite é de que ele recebe altas doses de dopamina a cada palavra apocalíptica que vai destruindo todo um sonho que era ler/assistir determinada obra. Essa é a pior visão do inferno que eu consigo imaginar, um mundo sem surpresas, onde um fdp aparece e conta tudo pra você.

Sabe, desde que o mundo é mundo as pessoas são falsas, aproveitadoras, vingativas e egoístas. A gente aceita, aprende a conviver, você já deve estar acostumado com isso também. Então assim, fale mal de mim, roube meu dinheiro, se vingue, mas não venha me dizer que o Bruce Willis estava morto o filme inteiro.

Fim de The Walking Dead
"The Walking Dead"

Sem pensar em todos os momentos cansativos e desgastantes que a série teve, e o medo de que ela se perdesse no caminho(esse medo ainda existe), eu já não sei viver sem ela. Nunca um apocalipse zumbi foi tão “real”, tão humano. Me sinto parte daquela família. Pessoas que nem tem o que comer direito, sem shampoo, adstringente, creme anti idade, chapinha, CAFÉ, ou grandes expectativas, que ironicamente vivem a sua liberdade numa prisão. Sim, eu gostaria realmente de ser um deles.

Ps.: Não que eu tenha notado, não que eu me importe, não que eu inveje, mas a Andrea colocou silicone, né?

Fim da blogosfera

O negócio ta ficando selvagem

O negócio ta ficando selvagem

Já parou pra pensar nisso? Mesmo que você seja apenas um simples mortal (leitor) e não blogueiro. Não sei se você sabe mas existe uma guerra cibernética acontecendo há um bom tempo na blogosfera. É uma guerra suja, infantil e que sinceramente não sei onde isso vai dar. Vamos acabar migrando pra deep web. Um interessante panorama do inferno seria se a cada dia mais de 300 blogs fossem criados. Pessoas descontroladas, copiando conteúdo dos outros para encher o próprio blog. Outros criando temas com fundo preto e letras amarelas. Gente que ofende os outros a cada post, conta mentiras, posta as mesmas coisas que outros milhões. Blogueiros que se transformam em pseudo-cults, falando sobre livros do momento, starbucks, crocs e filmes preto e branco que nem chegaram a assistir. Já imaginou uma blogosfera dessas?…mas, espera ai…

Alienígenas dominados por humanos
distrito-9-filme

Eu nunca esqueci as cenas do filme Distrito 9 e a forma como os alienígenas foram tratados. Se bobear viravam sopa ou assado na mão dos traficantes do distrito que moravam, que mais parecia um campo de concentração. Eles se adaptaram aquela miséria. Ninguém os queria por perto, e quando entenderam que os camarões (como eram chamados) ficariam presos no nosso planeta por muitos anos os trataram como lixo. Não é tão diferente da situação das pessoas que conviviam com eles, naquela especie de favela. Isso levanta uma série de questões, e você poderia dizer: Mas se nós somos abandonados pelo governo, porque eles deveriam ter tratamento especial?

Seria como ver o reflexo de toda a negligência que nós sofremos, de um outro angulo. Nós, expectadores do sofrimento de uma outra raça vivendo na classe média baixíssima. Fora que isso tira todo o glamour do que seria a chegada de vida alienígena no nosso planeta.