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Open Grave 2013

Juro que nunca mais bebo desse jeito...

Ai, carai mano, juro que nunca mais bebo desse jeito…

Um homem – com voz de dublador de jogo de guerra, e que é o mesmo cara do Distrito 9, será que ganhei sua atenção? – acorda numa vala, todo sujo e machucado, com um monte de corpos desfigurados ao seu redor começando o processo de decomposição. Moscas, muitas moscas, podridão por todo lado. E sem lembrar de absolutamente nada, nem do primeiro nome. E há quem ainda reclame da segunda feira.

Mas o que parece resultado de um feriado prolongado muito estranho é na verdade um filme de terror.

Próximo à cova que estava há uma casa com mais 5 pessoas. Ele é ajudado por um deles, uma garota que parece conhecê-lo. A única, mas nem tudo são rosas. Assim que entra na casa descobre que os outros sabem menos ainda do que ele. O que por um lado deve até servir de consolo. O homem tem apenas um revolver nas mãos, que não sabe como adquiriu, e roupas ensanguentadas.

open grave2O grupo, embora desconfiado da presença do nosso protagonista, se une para descobrir o que diabos estão fazendo ali e por que.
Tudo muito misterioso, cheio de moscas, gente feia e suja e flashes de memória comprometedores. E a pergunta que não quer calar. Qual deles matou aquelas pessoas? Não é pouco suspense não.

Esse foi um dos primeiros filmes que assisti no mês por indicação. Já comecei bonito. Comece você também. Interessante que Open Grave sai da zona de conforto e cria uma trama envolvente e inteligente sobre um tema que há tempos não surpreende mais.

Achei o danado aqui.

 

Stoker [2013]

stoker-Mia-Wasikowska

Stoker é de uma sutileza impressionante. O modo como a história se desenvolve e os sinais de que um desfecho imprevisível se aproxima. Tudo numa riqueza de detalhes, e com personagens extremamente expressivos. O encanto da história está nos detalhes, gestos, olhares e sensações.

Há quem diga que Stoker é apenas mais do mesmo. Eu tenho uma sensação completamente diferente. Você não criou a roda, mas pode muito bem aperfeiçoá-la. A direção do filme com certeza ficou nas mãos certas. Chan-wook Park rules.

Chan praticamente transformou o que poderia ser um mero suspense barato ou thriller psicológico fajuto em uma poesia de horror.

Na história, India perde o pai em um acidente de carro. Devido à sua personalidade peculiar e estranha para a mãe, as duas não tem praticamente nenhuma intimidade ou amizade. India sempre foi muito próxima do pai e, para causar ainda mais e dificultar o relacionamento entre as duas, o irmão do seu pai, Charles, surge na cidade e passa a morar com as duas. Sua mãe, Evelyn se derrete como mel pelo homem jovem que a faz lembrar do marido na época de mocidade.

Enquanto India vivia como se estivesse inerte ao mundo real que a rodeia, vivendo em outro mundo. Aluna brilhante, extremamente inteligente e esperta, porém apática e distante. Quase não demonstrou sentimentos pela morte do pai, embora o amasse. Pessoas assim sentem o mundo de uma forma diferente. A chegada de Charles mexe profundamente com ela, a ponto de perceber as semelhanças entre eles, que vão além do sangue, eu diria. Charles é charmoso, é misterioso, é o irmão desconhecido que Evelyn só conhecia por nome e mais importante, Charles é quem dá a liberdade para India. A liberdade do conhecimento, da consciência. Se tem uma coisa importante na nossa jornada é o auto conhecimento, não apenas sobre onde estamos, porque estamos e para onde vamos, mas quem somos realmente por dentro. E claro, isso trás consequências, boas ou más.

Encontrei o filme (aqui). E tente não viciar nessa musica. Tente!

Transfer [2010]

Bora trocar que já to enjoada desse corpo

Bora trocar que já to enjoada desse corpo

Sinto um prazer inexplicável ao descobrir filmes assim, desconhecidos e, de brinde, excelentes. Transfer é uma viagem. Viagem pra pertinho, tipo o corpo ali do seu lado.

A história começa com o casal alemão de velhos ricos e pelancudos, Hermann e Anna. Duas pessoas cultas, viajadas, e que sabem muito sobre a vida. Sinceramente eu acho que depois de uma vida onde você teve amor de verdade (e eles ainda tem, dos grandes), dinheiro e oportunidade de realizar sonhos, conhecer lugares, tá na hora de descansar na santa paz, encerrar com chave de ouro. Game over.

Ficando lindo em 3,2...

Ficando lindo em 3,2…

Mas nãoooo, Hermann convence Anna de que eles ainda podem desfrutar muito da vida tornando-se jovens novamente, e assim viajando e se divertindo, colhendo os frutos de tudo que trabalharam pra conquistar. E pensando assim a ideia até que não é má. Para isso eles fazem uma visita a clínica Menzana, coordenada pela doutora Menzel (linda e jovem, por enquanto), que lhes apresenta dois corpos novos em folha, além de compatíveis em vários aspectos por um preço bem salgado. Por intermédio do Transportador de Personalidade eles podem viver por quanto tempo quiserem nesses novos corpos.

Os corpos, claro, estão vivos. Essas pessoas se tornam propriedade da Menzana, onde passam a ser cuidadas para que mantenham sempre boa forma e saúde. Elas precisam ser perfeitas antes de serem vendidas. Mas Menzel Maquiavel afirma, “aqui nós não fazemos tráfico humano, eles estão por vontade própria.” A empresa se aproveita da fragilidade dessas pessoas. Eles apenas se sujeitam a transferência porque parte do dinheiro é destinado às suas famílias que vivem na total miséria, quantia essa estipulada pela Menzana. Não chega a ser tão diferente assim do tráfico humano.

A grande questão é que não é uma troca de corpos, você terá que dividi-lo com o dono. Mas é tudo organizado, tem contrato e é só você pagar o aluguel direitinho que não terá problemas. Será?

Além da ficção o filme aborda a questão racial, ao meu ver de uma forma até sutil. Os jovens escolhidos para o casal são dois belos africanos esculturais, Sarah e Apolain (pausa para o desgosto de saber que existam pessoas tão lindas e perfeitas sem terem sido criadas em laboratório. Já nascem lindos, como vocês fazem isso?).

Sarah e Apolain

Apolain e Sarah sendo avaliados no visor

O aluguel dos corpos é por hora, Hermann e Anna os usam por 20 horas, todos os dias, depois disso Apolain e Sarah podem curtir o pouco tempo restante. E embora pareça loucura, a “convivência” das personalidades poderia ter se tornado pacífica, se não fosse por um fato que muda todo o rumo da história.

Transfer encerra de uma forma até bruta eu diria. Acho um filme extremamente realista, o máximo que poderia ser diante do cenário futurista apresentado, e bonito. Os diálogos entre Hermann e Anna são lindos, você sente empatia por eles e, a medida que conhece mais Sarah e Apolain simplesmente não sabe para que lado torcer. Não é um filme com vilões e heróis, conspirações ou fugas alucinantes, é sobre sentimentos e pessoas com uma boa história de ficção científica de fundo. É só analisar com cuidado, todas as respostas estarão lá, e diferente de muitos filmes decepcionantes, Transfer não precisa jogar a verdade para o espectador, ele deixa pequenas questões subentendidas e outras mais para reflexão.

Mais:

Ah, pensou que eu ia esquecer? Baixei o filme por aqui.

Tarântula, de Thierry Jonquet

Perfeita por fora...

E que barriguinha é essa ai amiga…

…por onde eu começo?

Ah sim, Richard Lafargue. Cirurgião plástico dono de uma modesta mansão no subúrbio de Paris. Como todo rico excêntrico, Richard tem sua cota de bizarrices como por exemplo uma linda mulher trancafiada em um dos quartos luxuosos da mansão. Essa é Ève, a estranha a quem o cirurgião apresentava apenas a alguns poucos amigos mais chegados, que era vista como amante do doutor, e o que ninguém sabe, sua unica razão de viver. Mas aqui nada funciona do jeito convencional, especialmente o amor.

Alias, o amor, desejo, ódio e nojo andam juntos nessa trama. São sentimentos que se misturam e invadem o íntimo dos personagens. Principalmente Richard, que mesmo com seu objetivo doentio de vingança, isso não o leva a lugar nenhum, além de ser um punhal fincado que nunca deixa a ferida cicatrizar.

A vida do nosso Doctor Ray é ainda um pouco pior do que parece. Temos Viviane, louca de pedra, internada num hospício. Apesar de todos os médicos o desacreditarem sobre uma cura para seu psicológico, ele insiste em visitá-la sempre, arrastando Ève com ele. Até porque ela existe para isso, atender aos caprichos de Lafargue. Todos eles.

De volta a mansão Ève é trancada em seus aposentos. Entre jantares luxuosos na varanda da mansão, conversas corriqueiras e ódio velado a vida segue, cada um com seus afazeres. Ève se dedica a arte e o piano, Richard atende seus pacientes na clinica. Tudo vai loucamente bem, se não fosse pelas crises de Viviane. Lafargue é sempre chamado, sendo obrigado a vê-la fora de si, como um animal não domesticado, arrancando a própria carne. As consequências disso caem sobre Ève, forçada a se prostituir, enquanto Richard assiste tudo por um espelho falso. E ele se sente um pouco melhor.

Enquanto isso conhecemos Alex Barny. Um ladrão que precisará dos serviços de Richard muito em breve. Paralelamente também conhecemos Vincent Moreau, capturado e mantido em cativeiro, onde sofreu inúmeras humilhações nas mãos de seu captor, a quem apelida secretamente de Tarântula. Porque as vezes a vingança é como uma aranha “lenta e secreta, cruel e feroz, ávida e imponderável”. A morte simplesmente não é o suficiente, uma vitima precisa desejar o seu fim, todos os dias, mas sobreviver a isso. Já experimentou alimentar uma aranha com algum inseto morto? Indiferença é o que você verá.

Em determinado ponto da história, a vida dos cinco personagens é entrelaçada nessa teia de forma brutal, nos preparando para o impacto. Que impacto.

Mais:

Tarântula deu origem ao filme Pele que Habito (baixei daqui), com Antonio Banderas. E eu não saberia o que recomendar. Assistir o filme ou ler o livro primeiro? Ambos seguem por caminhos um pouco diferentes dentro desse cenário bizarro e infeliz, e ao mesmo tempo os dois são incríveis (raro isso, não?). Então, a escolha é sua.

Você pode ler o livro pelo scribd mas eu sinceramente recomendaria comprá-lo, é daqueles que dá gosto ter na estante.

The Tall Man [2012]

Vamos manter o título em inglês porque dizer “o homem alto” fica muito estranho.

E não estamos falando do Slender Man

E não estamos falando do Slender Man

Holy shit!

Ah, Pascal Laugier, seu francês maluco que gosta de decepcionar pessoas e surpreender tantas outras. Ele dirigiu também Martyrs, e se você assistiu prepare-se para o mesmo nível de reviravoltas em Tall Man, que se encaixa muito bem como suspense e não terror.

Estamos diante de algo novo, não vou dizer para ter a mente aberta, e sim o coração. Esteja preparado(a) para surpresas e não deixe que isso cause uma impressão ruim do filme. A ideia aqui é enganar.

Jessica Biel está incrivelmente fantasmagórica e, tirando os gemidos orgásmicos exagerados, ela teve uma atuação perfeita. Porque o que vemos é uma mulher humilde, modesta, que definitivamente não se preocupa com ela mesma, e vive apenas por um ideal, uma causa na qual ela acredita verdadeiramente fazer a diferença. Mas essas são questões que você terá tempo para refletir depois.

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Ela interpreta a personagem Julia, que depois da morte do marido, que era médico, ela continua trabalhando como enfermeira-faz-tudo-e-ainda-ouve-merda numa cidade pequena, deteriorada e esquecida do resto do mundo. E pra piorar, há anos várias crianças desaparecem de lá, deixando uma atmosfera de luto e medo. Mesmo assim a cidade continua isolada, sem escolas ou boa qualidade de vida, por vontade dos moradores que são muito unidos.

Com o tempo os desaparecimentos viraram uma lenda urbana, muitos juravam ter visto um homem alto que levava as crianças embora (e todos choram porque não é o Slender Man). Julia não parecia acreditar nessa lenda, até que uma noite teve seu filho raptado dentro de casa.

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A partir dai começa uma caçada ao responsável, onde tudo é possível e qualquer um pode ser o culpado. O filme muda o foco de uma maneira incrível, levantando questões sociais muito importantes, nos levando a sérios questionamentos e dividindo opiniões.

Mais:

Encontrei o link em torrent do filme.
Outro filme excelente do mesmo diretor, que foi mencionado no post é Martyrs.
E você conhece o Slender Man?