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Sisi Strange #3

Sisi não teve coragem de abir a porta, ou melhor, não podia, não no estado em que estava. Havia manchas de sangue em seu vestido, estava descabelada e ofegante.
Explicou pela porta, para a mãe de Evelyn, Abigail, que a menina não tinha ido a sua casa essa tarde e se despediu.
Observou pela fresta da janela enquanto a mulher ia embora, com um ar de preocupação.

Nesse momento Sisi se deixou cair no chão, no tapete que antes era só beje, agora manchado pelo sangue da barra do seu vestido. Ficou imóvel por uns 20 minutos, quase sem forças até mesmo para piscar os olhos, e observou as marcas ensanguentadas do caminho que fez até a sala.

O que foi que eu fiz? – Era só o que sabia repetir para si mesma, enquanto mantinha um olhar vago e os olhos arregalados.

Depois de se recompor, ou tentar pelo menos, voltou para a cozinha. Encarou o corpo de Evelyn no chão por um momento.
Mas não aguentou ficar ali e foi tomar um banho, se sentia a pessoa mais suja do mundo. De repente todo o peso do que acabou de fazer caiu sob seus ombros e ela começou a chorar debaixo do chuveiro.
Quando Sisi terminou o banho veio um cansaço sobrenatural e ela não pensou em mais nada, a não ser deitar um pouco.

Acordou escutando o carro do seu pai chegando e estacionando na garagem, entrou em panico. Olhou para o despertador ao lado da cama e viu que passava das 22:00horas. Pior, sua mãe tinha chegado antes, e ela ouviu os seus passos pela casa.

Desceu correndo para a cozinha, desesperada, sem ter a menor ideia do que fazer em seguida. Viu sua mãe limpando o chão da cozinha, o balde com água ao lado do rodo estava limpo, nenhuma cor vermelha, nenhum corpo também.

– Mãe? o que está fazendo?
Sua mãe continuou limpando o chão, de costas para ela, e disse: “o que acha que estou fazendo?”
Sisi estava em choque, começou a vasculhar a cozinha, depois a sala de jantar, foi para o quintal, olhou nos fundos e nada, não havia sinal do corpo. Como um cadáver ensanguentado desaparece?

O pai acaba de entrar, ela foi cumprimentá-lo e subiu voando para o quarto. Trancou a porta e sentou na cama, tentando assimilar tudo que vinha acontecendo.
Depois de horas trancadas decidiu que contaria tudo para os pais, ou tudo o que ela imaginava ter acontecido.
Ela estava descalça então mal fazia barulho no assoalho, quando chegou perto da escada viu os pais conversando na sala.

– Deu tudo certo? – disse a mãe, extremamente séria, de um modo que ela nunca tinha visto antes.
– Já cuidei disso, definitivamente, não fique preocupada, acabou – respondeu o pai.
– Acabou? Acabou? Você está louco? Não podemos continuar com isso. Ah, já não sei mais o que digo, esqueça.
– Eu amo vocês, somos uma família e eu não permitirei que nada destrua nossa felicidade.
– Se chama isso de felicidade, mas temos que…

De repente os pais de Sisi notaram sua presença e a conversa encerrou naquele momento. Os dois viraram para ela, seus olhos pareciam se contorcer como na ultima vez que jantaram juntos. A cortina aberta mostrava o céu cor de sangue, e a sua cabeça parecia que estava rodando, uma onda de êxtase tomou o seu corpo, e uma fúria a invadiu…Sisi estava oficialmente fora da realidade.

Esta casa está amaldiçoada, pensou.

Continuação da crônica na página Strange Times.

Sisi Strange #2

As vezes Sisi perde a noção da realidade, não sabe dizer se está sonhando ou tendo uma experiencia real. Mas pelas fortes dores no pescoço diria que é o pior pesadelo que já teve na vida.

E foi assim durante todo o dia, pior que isso foi ter que ir a escola naquele estado, pelo menos foi o ultimo dia de aula. Quando chegou em casa viu um bilhete de sua mãe avisando para ligar assim que chegasse, para saber se estava tudo bem. Mas ela não estava com vontade de conversar com ninguém, o pesadelo sobre sua morte ainda estava tão claro em sua mente quanto a noite passada.

Então Sisi resolveu subir para o quarto e dar um tempo antes de ligar para sua mãe. Jogou a mochila no chão, perto das caixas ainda lacradas da mudança e foi para o computador.
Resolveu fazer uma pesquisa sobre o maldito pesadelo que não saia de sua cabeça, e pescoço.

Digitou uma combinação de palavras: “sonhos reais lúcidos fantasmas em sonho”

Encontrou uma página que explicava sobre espíritos que feriam pessoas.

Quando clicou no site a luz acabou, na casa inteira. Durou apenas alguns segundos, como uma piscada. Quando a energia voltou a tela acendeu e sua pesquisa apareceu, não exatamente o que ela tinha digitado, ao invés disso apareceu: “Tão real quanto o seu sonho eu sou”

Sisi levantou da cadeira de boca aberta, e andou alguns passos para trás sem tirar os olhos do monitor. Depois vasculhou o andar dos quartos e desceu para a sala de estar. Procurou por toda a casa e nada de encontrar alguém além dela.

Correu de volta para o quarto, mas assim que chegou no topo da escada ouviu a voz de uma menina, provavelmente da mesma idade que ela, lá embaixo perguntando: “como está o pescoço Sisi?”.

Segurou o ar por alguns segundos, parou no primeiro degrau e virou lentamente para trás, mas tudo estava em silencio de novo e ela não viu ninguém.

“Ótimo, meu pesadelo se transformou em um filme de terror” – pensou Sisi.

Resolveu então reagir, foi para o quarto e procurou algo que pudesse usar para se defender.

Convencida de que estava tendo outro pesadelo, pegou um cortador de cartas em forma de faca que estava em cima da mesa, a ponta tinha quebrado e desde então ficou extremamente afiado. Foi a única coisa que pôde pensar.

Lentamente foi saindo do quarto, segurando o cortador enquanto tremia descontroladamente. Por via das duvidas olhou novamente todos os quartos e banheiros, mas não viu ninguém.
Seguiu pelo infinito corredor, sem vontade alguma de chegar até a escada. Antes de descer tirou os sapatos e os deixou no primeiro degrau.

Tentou ser o mais silenciosa possível, e a passos tímidos desceu a escada. Dessa vez foi em direção a cozinha, de onde achou ter ouvido a menina.

O chão estava um pouco escorregadio por causa de um produto que usaram de manhã, então ela tinha que andar mais devagar ainda para não cair.

Não viu nada na cozinha. Foi andando de costas para a escada e a sala de jantar, olhando cada cantinho da gigante cozinha. Começou a pensar que estava exagerando e que se deixou abalar demais por um pesadelo.

De repente sente um cheiro suave de perfume e atrás dela surge a mesma voz dizendo: “Como é a morte?”

Sisi se vira, já em panico total, a tremedeira era incontrolável. Sem sorte ela perde o equilíbrio no chão escorregadio da cozinha e a menina vai para cima dela.
A garota (aparentemente mais nova) a segura e Sisi aproveita para enterrar o cortador em seu peito, pelas costas, usando toda a sua força enquanto se apoiava na garota.

Ambas caíram no chão e a punhalada já tinha formado uma poça de sangue ao redor delas. A menina falava baixinho coisas sem sentido e Sisi sentia uma mistura de tristeza com dever cumprido.
Ela sentou no chão e segurou a garota no colo enquanto ela tentava desesperadamente, com o pouco de força que restou, contar alguma coisa.

Mas não deu tempo, ela morreu tentando dizer: “foi só uma visit..”

Em seguida Sisi se levantou e ficou olhando a menina morta na sua cozinha, esperando acordar do pesadelo. Enquanto pensava no que tinha acontecido escutou alguém batendo na porta da sala. Caminhou até lá e sem abrir a porta perguntou quem era. A voz era de uma mulher mais velha, que perguntou: Você é a filha do casal que acabou de se mudar? Estou procurando minha filha, Evelyn, ela disse que viria aqui lhe fazer uma visita de boas vindas, nós moramos na casa ao lado.

Continuação da crônica na página Strange Times.