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A maldição do blogueiro Boris

Boris foi um blogueiro muito conhecido. Em apenas 3 meses virou uma verdade celebridade web, seu blog era um tremendo sucesso. Conseguia agradar a todos com seus ideais, posts criativos e originais e seu dom para escrever, um verdadeiro talento. Inclusive alguns diziam até que ele tinha vendido a alma ao diabo, em troca da sua popularidade na internet, imagine só que absurdo.

Em uma manhã fatídica anunciaram sua morte, depois de exatamente 3 anos na blogosfera Boris faleceu, de acordo com as noticias que circularam na internet foi uma ataque cardíaco fulminante, embora ele fosse jovem e nunca apresentasse nenhum problema cardíaco ou histórico da família.

Meses depois…

Karloff, um blogueiro sem caráter e plagiador, checava seus emails tranquilamente. Ele vivia basicamente dos posts antigos do Boris, roubou todas as suas ideias e as adaptava em posts novos, ganhou muita fama com isso. Entre tantos emails que recebia um se destacou como um letreiro luminoso: Proposta de parceria de uma marca multinacional de carros.
E ao final da tentadora proposta: “Clique no links para informações adicionais sobre a nossa proposta.”
O pilantra do Karloff não pensou duas vezes, estava eufórico, e assim que clicou foi redirecionado a uma página de fundo preto, com um aviso:

“Você tem 7 dias para excluir todo o conteúdo que roubou de outros blogueiros.”

Claro que Karloff não deu a menor atenção ao aviso, encarou como uma pegadinha ou vingança de algum outro blogueiro. Mas ele recebia um email todos os dias com a mesma frase. Karloff tinha muitos inimigos, por isso aprendeu a não se importar com críticas, e fez de tudo para ignorar aquelas mensagens. Na manhã do 8° dia um post saiu em seu blog: “Eu sou uma fraude”. Onde ele admite ter plagiado o Boris e outros tantos blogueiros, além dos comentários anônimos que fazia usando um perfil falso, difamando várias pessoas.

Nesse mesmo dia Karloff foi encontrado morto em seu apartamento, com o mouse dentro do estomago e o cabo saindo pela boca, e na tela de seu computador estava desenhado com sangue:

“Boris.”

Cuide-se, Boris continua executando sua vingança por toda a blogosfera.

Tirei férias da matrix, saiba da verdade

Minha família me mandou para uma clínica de reabilitação para dependentes de internet. Não odeio eles por isso, o lugar parece bem calmo e tranquilo, cheio de nerds e geeks. Não podemos nos comunicar nem pelo celular, até vídeo game cortaram, principalmente GTA, dizem que é prejudicial ao nosso cérebro e pode fazer com que fiquemos violentos e alguns de nós tentem fugir ou matem alguém da clínica. Musica só aquele “som ambiente” para relaxar, acho que os donos desse lugar tem mais medo de nós do que nós deles.
Permitem apenas que joguemos paciência e resta 1, ambos os jogos não estimulam a competitividade e ajudam a desenvolver nossa capacidade de concentração.

Esse é o primeiro dia, cheguei logo de manhã e me deram 15 minutos para publicar um aviso no blog. Meu notebook já foi confiscado, estou usando aqueles computadores de programas de inclusão digital, um itautec, muito melhor que o meu positivo, mas enfim.

Não tive tempo para me arrumar, responder os emails pessoais ou profissionais, nem atualizei meu the sims social, várias atividades que não poderei concluir, incluindo o valentines days. Não tive a chance de agendar muitos posts para esta semana que estarei internada, nem responder alguns replys ou avisar meus amigos onde estou, bom, não farei falta a ninguém, há anos abandonei meus amigos por causa da internet.

Também nem tomei banho ou escovei os dentes, estava com vergonha por isso, não estou usando perfume ou desodorante, aparentemente eu sou um dos melhores casos aqui, alguns eu nem aguentei chegar perto. Mas disseram que todos os doentes seriam acordados as 5 da manhã para exercícios, sessão yoga, workshop de meditação sobre os males da internet, banho, cortar as unhas e outros cuidados de higiene pessoal que não lembramos quando sentamos de frente para o computador. Depois serei obrigada a interagir com outras pessoas que estão aqui comigo. Podemos sair pelo bairro e fazer caminhada, além de tarefas rotineiras, como ir ao banco, mercado, shopping (se ninguém do grupo tentar invadir a sala onde guardam nossos notebooks). Seremos monitorados 24 horas em todas as tarefas, mas confesso que estou ansiosa.

Dia 20 eu volto…eu…o tempo acabou, eles entraram no quarto e estão bravos comigo, passei 5 minutos do prazo…eles vão me desconectar….socorroooooo.

O ultimo conto de Cordélio

Cordélio estava escrevendo o conto mais importante da sua vida, o último. Decidiu encerrar a vida de escritor e precisava de um conto que o tornasse imortal.

Foi até a sala da biblioteca, sentou-se confortavelmente em uma das poltronas antigas onde estava seu notebook e deixou a imaginação guiá-lo. Mas pela primeira vez se sentiu frustrado pela falta de inspiração. Percebeu que precisava levar aquilo mais a sério, afinal, era seu ultimo trabalho.
Então Cordélio se levantou e saiu da zona de conforto, sentou de frente para a escrivaninha, prendeu os longos cabelos negros e puxou as mangas da camisa.
Afastou todo o equipamento, deixando na mesa apenas um bloco de folhas e uma antiga caneta tinteiro que ganhou há muito tempo.

Começou a escrever e nem viu o tempo passar, já estava no final da história quando de repente a tinta da caneta acabou, e o tinteiro estava seco, ao mesmo tempo escutou um barulho muito forte vindo da sala, seguido de um grito pavoroso.

Transtornado, Cordélio correu para a sala com a caneta nas mãos. Quando chegou encontrou o corpo de sua esposa no chão, com 5 tiros no peito. Ela estava chegando em casa com as compras do mercado, quando foi abordada por um assaltante, que por medo e inexperiência atirou várias vezes quando ela tentou resistir ao assalto e foi embora assustado.

Em choque, balbuciava palavras sem sentido, enquanto ajoelhava em frente a sua esposa. Tudo que conseguia fazer era observá-la, sem se dar conta da poça de sangue que estava se formando ao redor deles.
Então os olhos de Cordélio começaram a brilhar, ele deu um leve sorriso perturbador, em seguida, gentilmente beijou os lábios da esposa e carregou a caneta com o sangue que se espalhou pela sala.
Imediatamente voltou para a biblioteca, a passos largos, com medo de ter perdido o fio da inspiração para terminar seu conto perfeito.

Catarina

Catarina saiu do mar e correu para sua toalha jogada na areia da praia particular. Era pouco mais de 3 horas da madrugada, com um luar maravilhoso, sem os raio de sol para incomodar. Tudo estava perfeito, exceto uma dor de cabeça que a estava enlouquecendo.
Deitou na toalha e começou a observar as estrelas, a luz da lua a deixava ainda mais palida, como uma boneca de porcelana, embora não destacasse tanto seus cabelos cor de fogo.

Um homem chegou a praia, ofegante, chamando Catarina. Era um de seus empregados avisando sobre o jantar, que finalmente estava pronto.
Catarina sorriu, pegou sua toalha e seguiu o homem de volta para casa. Chegando lá ouviram gritos desesperados de um rapaz, vindo de uns dos 27 quartos da mansão, depois de um tempo, apenas silencio. Mas ela sabia exatamente em que lugar da casa estava o rapaz, seu próprio quarto. Correu até o salão principal e subiu as escadas apressadamente. Chegando no quarto encontrou um homem de aproximadamente 30 anos, cabelos negros e pele branca, acorrentado ao chão com a garganta cortada, próximo a sua cama e ao lado da janela.

Catarina ficou horrorizada com o que viu, o homem, obviamente estava morto, ela não chegou a tempo. Saiu do quarto e foi para o corredor, gritou diversas vezes o nome de todos os empregados da casa, estava furiosa e triste ao mesmo tempo.

O homem no meu quarto está morto, o que diabos aconteceu aqui? Alguém me responda.

Todos os empregados estavam em fila na frente dela, então um deles criou coragem, deu um passo a frente, e com a voz tremula disse: “Mas senhora, hoje mais cedo disse que estava com enxaqueca, achei que os gritos do rapaz a incomodariam.”

Como não teve outra opção, Catarina se trancou no quarto e devorou sua suculenta, porém já morta, refeição.

Sisi Strange [Final]

De repente alguém começa a gritar na rua, e algumas viaturas da policia chegam ao local. Os gritos vinham próximos da casa de Evelyn, e quem gritava era sua mãe. Desde o incidente na casa de Sisi que Evelyn não tinha aparecido em casa, nem ligado.

Sisi, ainda transtornada começa a gritar histericamente, segurando a cabeça como se estivesse sentindo uma dor insuportável.
Com medo de chamar a atenção dos policiais, o pai de Sisi corre em sua direção e a agarra, colocando a mão em sua boca e pedindo que ela pare. O jeito foi leva-la para o quarto, enquanto sua mãe pegava uma seringa e um sedativo que guardava na cozinha.

Ele colocou a filha na cama e tentou conversar com ela para acalmá-la, mas foi em vão, gritava e chorava sem nem dizer o que sentia. Logo em seguida sua mãe chegou e entregou a seringa já com o liquido para que o pai aplicasse.
Sisi não tinha ideia do que era, mas sabia que era muito forte, e foram necessários poucos segundos para que ela começasse a se acalmar.

Enquanto ela dormia profundamente, seus pais foram prestar solidariedade a mãe de Evelyn, eles mais do que ninguém sabem o que é entrar em desespero por uma filha.

Quando Sisi acordou estava sozinha, olhou para a escrivaninha e viu o cortador de papeis no lugar de sempre. Por um momento se sentiu aliviada.
Levantou e foi procurar pelos pais, estava disposta a contar tudo, sendo um sonho ou realidade não conseguia mais guardar aquilo para si mesma. Foi ao quarto deles e não os encontrou, mas reparou que estava tudo revirado, e achou um revolver dentro de uma gaveta aberta.
Espantada, se aproximou da gaveta e o pegou. Assim que segurou o revolver Sisi escutou seus pais chegando em casa, e o largou imediatamente, e correu para o encontro deles.
– Preciso falar com vocês – disse Sisi.
– Claro Sisi, vamos para o sofá – respondeu a mãe.

Os 3 se sentaram, os pais se encararam com um olhar de tristeza, até que Sisi se sentou no meio deles. E assim ela contou toda a história, de tudo que vinha acontecendo desde que chegaram a casa nova, mas quando terminou seus pais não esboçaram nenhuma reação de surpresa, pelo contrário, estavam escutando tudo como se já soubessem.
O pai se levantou, enquanto Sisi chorava, e sem mostrar nenhuma compaixão pegou uma pasta vermelha guardada na mesa do escritório.
Trouxe para a sala e entregou nas mãos de Sisi.

– Filha, sabemos o que aconteceu, e não foi a primeira vez.
E assim os dois explicaram a difícil verdade. Sisi tinha transtornos psicóticos sérios, e seu cérebro criava alucinações e medo irreais, como de fantasmas, para a desculpa de poder matar.
– O médico jamais permitiu que você soubesse a verdade, e pensamos que seria melhor assim. Ele acha perigoso um confronto direto, como estamos fazendo agora. Mas pensa que você apenas tentou assassinar alguém, só eu e sua mãe sabemos o que realmente aconteceu, e há meses tenho escondido todos os seus rastros, Sisi – explicou o pai.
– Evelyn?
– Sim, está em um local que ninguém a achará por muitos anos, filha.
– …mas…como eu…como?
– A dor que sentiu no pescoço, da qual se queixou algumas vezes? Foi por causa da Rafaela, a garota que passeava com nossas cachorras. Vocês brigaram, pensando que ela era um fantasma, ou sabe Deus o que, e a estrangulou com o cabo de energia do seu notebook, achando que ela estava te atacando, como ela era maior que você lutou muito para se defender e chegou a segurar seu pescoço, dai os hematomas que vem escondendo de nós.
– Filha? – perguntou o pai – Você está prestando atenção ao que sua mãe diz? Temos que nos mudar novamente, pensei que dessa vez seria diferente…ou que você levasse mais tempo para perder a razão.

Os pais de Sisi a olhavam com profunda tristeza, e um pouco de medo também. Mas ela parecia hipnotizada pelo que ouviu, e não estava com cara de quem conseguiu assimilar tudo.
– Eu…ah…vocês são os únicos que sabem o que eu fiz? Ou fazia…
– Sim, não se preocupe com isso.
– Acho que sei como posso resolver a situação, pai.
Ela então se levantou e foi para o quarto dos pais, pegou a arma que estava na gaveta e desceu.
– Venham comigo, por favor? – implorou Sisi.

Eles a acompanharam para o jardim dos fundos, onde ninguém conseguia vê-los. Sisi gastou apenas uma bala, nem sabia dizer se a arma estava carregada, apenas puxou o gatilho contra si mesma, e não teve tempo para agonizar. O tiro foi diretamente na cabeça.

Suas ultimas palavras foram: “Me enterrem aqui e vão embora…eu sempre amarei vocês”.

(Imagem: deviantart)

Para ler outros contos, ou as cronicas anteriores de Sisi, acesse a página Strange Times.