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Ebook!! Universo Desconstruído – Ficção Científica Feminista {Coletânea de Contos}

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Durante quase 4 meses mantive um segredo. Um segredo capaz de contribuir para a expansão daquilo que há de mais importante para a nossa evolução. O pensamento. E rumo ao fim ao preconceito. Forte hein!

Fui convidada pela Sybylla pra participar de uma empreitada muito divertida. Escrever um conto de ficção científica feminista. Mas não se engane. Aqui não há padrões, não existem apenas heróis e vilões com mocinhas sensualmente algemadas em alguma rocha lunar, esperando seu salvador matador de alienígenas malvados que querem roubar nossos suprimentos e a receita da coca cola.

Por isso a “Desconstrução”. Queremos modificar o cenário que estamos acostumados a ver. Fugir um pouco do padrão predominantemente masculino na ficção científica. Hoje, mais do que nunca a literatura tem poder, mais do que nunca, felizmente. E foi por ai, com as ferramentas que temos, que contribuímos para mostrar outros lados da mesma moeda. Pessoas de diferentes raças, crenças e sexos. Uma diversidade incrível que deveria ser motivo de orgulho, nunca de exclusão. A ideia é humanizar. Sem transformar mulheres em seres frágeis ou apenas corpos(vazios) sensuais esperando por salvação e homens com força e coragem fora do normal, desprovido de sentimentos mais profundos, cujo objetivo é salvar o mundo porque é isso ai e pronto. Vamos sair dessa zona de conforto e conhecer outras possibilidades. Outros cenários. É divertido.

Conheço pessoas que brincam com a possibilidade de dividirmos o nosso planeta com alienígenas ou robôs inteligentes e autônomos. Mas não consigo deixar de me perguntar como podemos conviver pacificamente com formas de vida diferentes se não toleramos nem as nossas próprias diferenças? Imagine o caos. Veja o caos.

Acredito que a melhor forma de romper as barreiras e destruir o preconceito é inserindo aos poucos um novo contexto (que de novo não tem nada), que nada mais é do que a realidade.

O projeto é encabeçado pela Sybylla e pela Aline. Que se empenharam demais pra tornar essa ideia realidade. Todo o trabalho pesado de edição veio delas. Eu só escrevi um singelo conto. Alias, outras pessoas se juntaram comigo nessa também. Ao todo 10 contos fazem parte da coletânea. Um melhor que o outro.

Autores presentes na coletânea

Organizadoras
Aline Valek
Sybylla – Momentum Saga

Autores
Dana Martins – Conversa Cult
Ben Hazrael – Cabaré das Ideias
Gabriela Ventura – Quinas e Cantos
Thabata Borine
Alex Luna – Tarrask
Leandro Leite
Lyra Libero – Menina Lyra
Tais Fantoni (ilustradora) – Colchões do Pântano
Eu \o/

Quem quer ler Universo Desconstruído?
O download do ebook é gratuito, através do PagSocial. O “pagamento” é apenas em compartilhamento nas redes sociais. É só escolher qual o formato do ebook da sua preferência e clicar no link. Ao entrar no site selecione qual rede social será divulgado o link da coletânea e o download começará logo em seguida. Molezinha.



(versão epub)


(versão mobi)


(versão pdf)


capaA coletânea está disponível na versão física também, no Clube de Autores. Nenhum dos autores terá lucro algum, mas há um custo para adquirir a versão impressa, que é acertado diretamente com o site. O valor é referente aos custos de impressão e encadernação que o Clube dos Autores terá. 😉

E todos os links estão disponíveis na página oficial do projeto

Seria clichê dizer que foi uma experiência incrível? Quando você gosta de escrever e começa a se aventurar nessa arte, não imagina os obstáculos que vai encontrar. E não existe sensação mais deliciosa nesse mundo do que vencer um obstáculo. Concluir um projeto. Tentar fazer a diferença. E melhor ainda se for ao lado de pessoas que compartilham dos mesmos objetivos que você.

Espero que goste do ebook, mesmo, e que isso sirva de inspiração pra todo mundo que gosta e torce pra que a ficção científica siga por esse caminho. O caminho da diversidade, da nossa realidade. Desconstruindo um universo de preconceitos e estereótipos.

TAG- Campanha de incentivo à leitura

campanha de incentivo à leituraFaz tempo que eu não respondia uma tag, e é bom ser indicada pelos vizinhos de vez em quando. Essa veio da Valéria, que manja muito das palavras e tem umas ideias sobre a vida que eu me identifico bastante.

Então bora pra tag!

Aposto que tem alguém pensando: “ler, grande coisa”. Né? Tanta gente ai viciada em livros e que não sabe escrever, não sofisticou vocabulário muito menos abriu a mente.

Mas será que é realmente assim? Acho que a gente cria muita expectativa com a leitura, assim como muitos são endeusados pelas metas de leitura alcançadas. Cretinos sortudos. Mas a coisa não funciona assim, é um processo lento e intimo. Pode ser uma palavra nova, ou antiga que você escrevia errado, uma emoção tão intensa que somente um cenário apocalíptico poderia propiciar, ideias para escrever sua própria história, maneiras de matar/assombrar/torturar, psicologicamente, claro, aquelas pessoas queridas, ou uma fuga de momentos estressantes e difíceis de lidar. Inúmeras razões, inúmeros benefícios.

Acho sim que a leitura deve ser sempre incentivada, ela não salva você, mas sem querer fornece algumas ferramentas. E vale até pra Crepúsculo (que me serviu de ideia para pequenos diálogos). Isso me fez recordar de um texto que li há um tempão, lembro que o autor escreveu algo sobre livros “ruins”, ou no caso aquele que ninguém gosta, ou os que sofrem do nosso preconceito. Ele dizia que é importante ler de tudo, sem frescuras, ao menos tentar. Com o tempo você vai identificar o seu estilo literário e vai saber quais leituras buscar. E mesmo assim a gente não está livre de fazer más escolhas.

Mas é importante começar de algum lugar, como tudo na vida. E como a ideia da tag é incentivar a leitura, e minha tarefa é indicar apenas um livro, escolhi um cheio de teorias de conspiração e podres da NSA (Agência de Segurança Nacional americana), que coloca a CIA no chinelo. O livro é o Fortaleza Digital.

Fortaleza DigitalA personagem principal é Susan Fletcher, uma criptógrafa que trabalha na NSA cuidando de um supercomputador, o TRANSLTR. Ele foi feito para decifrar qualquer tipo de código, porém (pausa para o espanto), ele simplesmente se depara com um código indecifrável. Nem mesmo Susan com toda a sua beleza (matemática) consegue quebrá-lo. Logo eles descobrem que o código vem de um antigo funcionário. A coisa fica tensa quando Ensei, ameaça jogar na internet e expor informações importantes do governo. A mando do próprio diretor da NSA, Susam viaja, junto com um professor de línguas, atrás de Ensei e em busca da senha para o código.

Quais as motivações dele? o que isso significa? E até onde vai a sua privacidade digital? Essas e outras perguntas você descobrirá em Fortaleza Digital. 😉

PS.: Li há muitos anos, e por culpa desse livro cheguei a estudar um pouco de criptografia.

Você pode ler o ebook aqui. Mas com certeza vai querer comprar o livro físico, item de estante.

 

Opa, quase esqueço de indicar alguns blogs. Uni duni tê, o escolhido é você:

Conversa Cult

Electric Beans

Momentum Saga

 

 

Eu sou o umbral da porta

Não é fácil não.

Não é fácil não

Stephen King definitivamente acertou neste conto, porque cá entre nós, não é sempre que o homem está inspirado. Esse merece menção honrosa.

No conto, Arthur é um astronauta aposentado que vive há anos numa cidade pequena, bem fim de mundo. Sua aposentadoria jamais seria o suficiente pra pagar um plano de saúde que resolvesse seu problema, vai vendo. Quase isolado, conta apenas com a companhia do amigo Richard, que passa boa parte da história tentando entender e acreditar em Arthur.

Acontece que depois que nosso astronauta volta da ultima missão, em Vênus, sente que algo mais veio junto com ele da viagem. A verdade é um pouco pior. Mas a partir dai tudo muda para Arthur, e ele toma todas as providências, de forma bem sistemática eu diria, pra controlar a situação. Tendo que, além de esconder o segredo, cuidar para que “eles” não vissem seu mundo. A imagem que você cria na cabeça é o que dá o toque de terror ao conto. Me arrepio ao relembrar. E mesmo após descobrir o segredo de Arthur, não pude prever o ótimo desfecho.

E é impressionante como nossa a mente trabalha o medo. Ao fim da leitura, algo tocou o meu braço (um pernilongo, não se preocupe) e ignorando a vontade de coçar/bom senso, parti logo para a agressão e, em pânico soquei meu próprio braço. Não é algo que me orgulhe, mas não pude conter os nervos, tamanha era minha aflição.

Pois é, esse é o Stephen King, arranjando uma maneira de me deixar marcas e traumas desde que o conheci.

Mais:
Por falar em medo
Esse conto faz parte da coletânea Sombras da Noite, todos do King. (link atualizado)
E olha que legal, dá pra ler o conto aqui.

A nova razão, de Ricardo Nascimento

Quem está errado?

Quem está errado?

A gente sabe que todo ser humano tem direito a ser tratado como um, com dignidade com respeito. A gente sabe que opção sexual não interfere no caráter de ninguém. A gente sabe de tudo isso. A teoria é essa coisa linda, quem vive dela já se sente um santo, um altruísta, um humanitário. Mas na prática muitos vêem um casal composto por dois homens, de mãos dadas na rua, e olha com nojo, talvez pensando “credo, ainda bem que eu sou normal”.

Agora pega esse texto e inverte. Imagine um casal (homem e mulher) passeando juntos pela rua de mãos dadas, apaixonados…que nojo. Não só nojo, isso dá até cadeia sabia? E nem falei sobre os casais heterossexuais que apanharam até a morte por um grupo de homossexuais.

E é nesse cenário distópico que se passa a história de A Nova Razão. Um mundo onde o preconceito continua, as pessoas são as mesmas, o que muda é a preferencia sexual da maioria da população, predominando o homossexualismo. Ai vem a dúvida, e se por acaso um filho criado num lar homossexual se sentir diferente? Deslocado? Se por acaso for hétero?

Logo no início conhecemos Lucia, uma garota comum que vive com suas duas mães e a namorada Letícia. Mas pra Lucia falta alguma coisa, um sentimento que a preencha, algo que ela não faz ideia do que seja porque nunca sentiu. Afinal, ela foi criada desde criança com mães responsáveis e cuidadosas que desde cedo lhe passaram todos os valores morais que deveria levar pra vida toda. E isso inclui jamais ter ou pensar num relacionamento heterossexual, que é considerado pior que uma doença contagiosa. Alias, o autor até inseriu nesse contexto uma explicação bíblica para a ascensão do homossexualismo e a aberração contra a natureza e contra deus que é uma união hétero. Muito interessante.

E você se revolta, se entristece, se emociona e no fim entende a motivação de todos os personagens e até mesmo o rumo que as coisas tomam, como por exemplo leis absurdas contra os héteros, que no caso fica evidente que é mais por vingança do que qualquer outra coisa. O livro também aborda outros pontos muito interessantes como as barrigas de aluguel e bancos de doação de sêmen, levantando uma questão importante.

Tudo isso contado de uma forma muito inteligente e irônica, afinal, não existe o certo e errado nesse caso, estamos cansados de saber disso. O ponto forte do livro é justamente esse, mostrar que ambos somos a maioria (porque assim como existe uma quantidade absurda de gays que não se assumem também acontece o mesmo na história com os héteros).

E diante desse cenário de intolerância, ódio gratuito e regras sem fundamento, A Nova Razão termina muito bem, plantando a sementinha da dúvida na cabeça da “maioria” e ao mesmo tempo mostrando uma realidade cruel, na qual as pessoas precisam mudar de vida, mentir e fingir o tempo todo pra conseguir amar e serem amados em paz.

Mais:

– E olha só eu lendo livros de autores nacionais e superando meu preconceito com a literatura atual.
– Pra quem quiser matar a curiosidade sobre o autor, é só acessar seu blog.
– O livro físico está a venda na editora Multifoco, mas seria interessante uma versão em ebook também né, vamos aguardar.

UPDATE: Uma notícia super bacana, o autor do livro disponibilizou o ebook, e você pode ler gratuitamente neste link.

O curioso caso da Menina que não sabia ler

Sou legal até cismar com você…

A vida é assim, feita de pessoas que captam a mensagem e aquelas que perdem o bonde. Mas no caso dos livros isso é muito relativo, e acredito que nosso entendimento da trama tem uma forte ligação com nossos gostos, cultura, criatividade, disposição, valores morais e talvez até o habito da leitura. Por isso mesmo não considero alguém inteligente porque entendeu a mensagem que o autor passou, ou tentou, esse coitado incompreendido, muito menos é ignorante por não ter sacado, em muitos casos, a genialidade da coisa. Mas a decepção fica estampada em nosso semblante quando nossos companheiros não compartilham da mesma visão que nós.

Eu senti uma série de coisas quando terminei, recentemente, a leitura da Menina Que Não Sabia Ler, e nenhuma delas foi raiva do livro, pelo contrário, e me espantei com tantas avaliações negativas pra essa belezinha macabra.

Como sempre a capa original bem mais atrativa

O lance é o seguinte: Florence e o irmão Giles, duas crianças órfãs, moram num casarão junto com a governanta e alguns poucos empregados. O tio deles, aparentemente único parente próximo, não se importa com as crianças e designou a governanta, sra. Grouse, para cuidar de absolutamente tudo, com o que eu acredito ser um salário mínimo pra gerenciar a velha mansão. E dando significado ao nome do livro, o tio ordenou que Florence nunca fosse alfabetizada. Mas é claro que uma garota prodígio, das grandes, não acatou a ordem do tio relapso, mão de vaca, corno e machista. Então apenas Giles estudava. Após o garoto ser expulso do colégio onde passou uma temporada (era lento demais pra acompanhar o ritmo), o tio mandou uma preceptora para ensiná-lo em casa, enquanto Florence ficaria chupando o dedo e emburrecendo, só que mal sabia ele que ela já lia melhor que Giles. Um acidente acontece e o preceptora morre, então, um tempo depois uma nova é contratada, a Sta Taylor. A partir dai você começa a acompanhar o raciocínio e toda a criatividade de Florence e sua angustia ao pensar que a mulher contratada veio para roubar seu irmão. Sem spoilers, juro.

O autor, um espertão chamado John Harding, se inspirou no conto A Volta do Parafuso, de Henry James, o qual deu origem ao filme Os Inocentes. E pra mim, John foi tão brilhante quanto Henry em mexer com a nossa cabeça, e com a de Florence, a personagem principal da presente história.

A sinopse que vem na capa do livro é irritante, você lê repetidas vezes mas escrito de forma diferente que, tudo pode ser apenas ilusão de uma garota com criatividade. Minha mente já formulou uma fábula juvenil de pura piração, com a Florence acordando do “sonho estranho”. Nem de longe a coisa é assim. E acho que isso foi uma barreira para o entendimento de muitos.

Boa parte do livro a trama vai engatinhando, preocupando-se com pequenos detalhes aparentemente sem muita importância, como a rotina de Florence para aprender a ler e escrever. Acredito que foi fundamental para que pudéssemos conhecê-la melhor e entender essa voracidade em proteger o irmão menor. Esse é o primeiro livro que li (que eu me lembre) em que você mata a charada antes da protagonista, e é isso que torna a leitura fabulosa.

Um final muito bem construído, precisando apenas de uns minutinhos para tomar fôlego e ligar os pontos, você logo compreende toda a tragédia.

E é em momentos assim, raros na minha vida, em que agradeço por ser filha única, sem um irmão para me defender de todo o mal do universo, afinal, Florence não estava exatamente protegendo Giles, estava?

Mais:
– E recomendo a leitura do conto A Volta do Parafuso, embora sejam histórias distintas, mas com o mesmo ambiente.
– E quem nunca teve um “momento Florence” também?