A Megera


Mateus conhece Olivia, ou como gosta de chamá-la carinhosamente a Megera, há pouco mais de 6 anos. Ele está convencido de que Olivia está apaixonada por ele, tanto quanto ele é por ela. Ele sabe que ela não suportaria não vê-lo mais, ele sabe, sabe mesmo?

Aquela mulher era terrível, não passaram de um beijo que ele roubou forçadamente de Olivia, que logo lhe deu um pisão com a ponta do salto e o ameaçou de morte caso tentasse novamente, mas ele percebeu um leve sorriso enquanto ela se retirava. Uma mulher extremamente inteligente, misteriosa e sádica, o que significava sempre. Ele já tentou ignorá-la, pediu a amigos que inventassem que estava morto, que havia viajado para a China, a negócios por um ano. Nada abalava aquela bruta mulher sem coração.

Mateus era fascinado por ela, a amava mais que a si mesmo. Já ela, amava todas outras criaturas do planeta, desde formigas até elefantes, menos Mateus e qualquer outro pobre coitado que se aproximasse dela. Olivia já foi chamada de víbora por um de seus pretendentes, no mesmo dia encontrou Mateus e conversaram sobre isso no café. Chegaram a um consenso de que aquilo era uma infâmia, já que víboras estão sempre a espera de dar o bote, o que era totalmente contrário as atitudes de Olivia. O sofrimento de homens que se desdobravam em vão pela sua atenção parecia incrivelmente divertido e engraçado para ela. Megera lhe caía melhor, sem dúvida, pensava ele.

Mesmo assim Mateus e Olivia eram grandes amigos, nada evitava que se encontrassem acidentalmente, quase todos os dias, em um café da cidade para conversar e compartilhar seu amor pela bebida. No ultimo encontro Mateus parecia tenso, Olivia passou o tempo todo pensando o que estaria deixando tão nervoso, mas nada em sua face mostrava qualquer sinal de preocupação. Pensou em prolongar o encontro com um passeio, mas pedir por companhia não era de seu feitio, além do mais, não daria esse gosto a ele.

Enquanto olhava nos olhos dele sentiu um aperto no peito tão grande que por um momento lhe faltou ar. Seu coração batia forte como nunca, era terrível admitir o que aquele homem significava para ela, tudo. Tudo. Saiu de lá correndo, nervosa e querendo chorar, mas não se permitiria a isso em público. Mateus foi atrás dela, gritando que parasse. Ela ouvia sua voz mas não iria parar. Então ele parou de correr, e de gritar, o silencio foi quebrado com o barulho de buzinas e o corpo de Mateus sendo arremessado em uma árvore do outro lado da rua.

Naquele mesmo dia, quando os médicos entregaram todos os pertences que estavam com Mateus, Olivia viu uma pequena caixinha de veludo preta com uma aliança dentro.

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